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“Grande encontro” debate a relação entre o campo geomagnético e a proteção da vida na Terra

Publicado: Sexta, 12 de Junho de 2020, 16h46 | Última atualização em Sexta, 12 de Junho de 2020, 16h46

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Nosso planeta é envolto por um campo magnético que atua como um escudo que nos protege das radiações cósmicas e do vento solar que vem na direção da Terra. Esse campo está presente desde a formação do planeta e permitiu o surgimento de estruturas organizadas que deram origem à vida, há cerca de 3,5 bilhões de anos.

Mas como esse campo nos protege? Que impactos têm sobre nossa vida? Para responder a essas questões, convidamos os pesquisadores Henrique Lins de Barros, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Katia Pinheiro, do Observatório Nacional, e Lívia Ribeiro Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com o tema “O campo geomagnético e a proteção da vida na Terra”, eles participam do próximo “Grande Encontro” promovido pelo Observatório Nacional, no dia 18 de junho, quinta-feira, às 19 horas, com transmissão pelo canal do ON no YouTube.

A pesquisa científica em geomagnetismo ocorre através da operação de redes de observatórios magnéticos espalhados pelo planeta, e através de dados coletados por satélites especialmente construídos para medir o campo geomagnético com grande resolução espacial e temporal.

Esse campo não é igual em todos os lugares — e, além disso, varia temporalmente. Para monitorar as mudanças do campo magnético do Brasil, o Observatório Nacional mantém dois modernos observatórios: Tatuoca, no Pará, em operação desde 1957, e Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, que funciona ininterruptamente desde 1915.  Ambos integram a INTERMAGNET (International Real-time Magnetic Observatory Network), rede internacional de observatórios magnéticos que seguem padrões de qualidade de medição e transmissão de dados em tempo real. Somente os melhores observatórios do mundo são aceitos na INTERMAGNET, uma vez que devem apresentar dados de alta qualidade, transmissão em tempo real e continuidade dos registros. 

O monitoramento contínuo do campo geomagnético permite expandir nosso conhecimento sobre o interior profundo da Terra, fornecendo dados que auxiliam na compreensão de processos relacionados com a dinâmica e a composição interna da Terra, além de possibilitar o estudo de muitos processos importantes que ocorrem no Sol. A pesquisa nessa área é fundamental também para a geofísica de exploração, com aplicações na indústria de petróleo e mineração.

“O  Brasil é o lugar ideal para observar a evolução da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), fenômeno no qual a intensidade do campo é a mais fraca de todo o planeta. Além disso, o país é estratégico para observar o equador magnético, onde o campo é completamente horizontal, que é uma das funções do Observatório Magnético de Tatuoca”, explica a pesquisadora Katia Pinheiro, que falará sobre seu trabalho à frente das observações feitas pelo ON. 

No evento, a pesquisadora Lívia Ribeiro Alves discutirá o sistema físico constituído pelo Sol e a Terra em que se observa relações que vão além da força gravitacional e do fornecimento de luz e calor ao nosso planeta. “Explicaremos como o campo magnético da Terra atua quando lidamos com fenômenos existentes no sistema Sol-Terra e falaremos brevemente sobre a complexidades de fenômenos que são observados na região do campo geomagnético, especificamente, nos cinturões de radiação”. Em sua apresentação, Lívia explicará o termo Clima Espacial, área de conhecimento que abrange diferentes campos científicos, tais como física, geofísica, astrofísica, meteorologia e engenharia. A pesquisadora irá descrever como o INPE monitora o clima espacial a partir de observações feitas no Brasil e de parcerias com satélites europeus e americanos.

Já o pesquisador Henrique Lins de Barros, do CBPF, mostrará a relação entre o campo magnético terrestre, presente desde a formação do planeta, e o surgimento de estruturas organizadas que deram origem à vida, há cerca de 3,5 bilhões de anos. “A interação do campo geomagnético com o sistema vivo tem sido estudada nos últimos anos e levanta a pergunta de como o organismo é capaz de detectá-lo. Um dos fenômenos mais instigantes é o comportamento migratório de várias espécies animais e a detecção com campo magnético é um grande candidato. A descoberta de microrganismos capazes de se orientar ao campo aplicado devido à biomineralização de nanocristais magnéticos é um campo recente da biologia. Esses organismos são encontrados em diferente habitats e o Brasil tem desenvolvido importantes trabalhos no assunto”, conta Henrique.

 

Grandes encontros - O campo geomagnético e a proteção da vida na Terra

18 de junho, quinta-feira, às 19h - Canal do ON no Youtube

Henrique Lins de Barros – CBPF

Katia Pinheiro – ON

Lívia Ribeiro Alves – INPE

 

Edições anteriores

5 de junho – Energias limpas

Fabio Bellot (INT), Jefferson Borges Araujo (CNEN),  Luiz Roberto Bezerra (FGV Energia) e Suze Guimarães (ON)

29 de maio - Astrobiologia
Claudia Lage (IBCCF/UFRJ), Gustavo Porto de Mello (OV/UFRJ), Marcelo Borges Fernandes (ON) e Naelton Araújo (Planetário do Rio)

15 de maio - Matemática, astronomia e pandemia
Fernando Roig (ON) e Marcelo Viana (IMPA)

8 de maio - Dinossauros e paleomagnetismo
Cosme Ponte Neto (ON) e Diógenes Campos (Museu de Ciências da Terra)

1 de maio - Poluição luminosa
Daniel Mello (Observatório do Valongo/UFRJ), Fernando Roig (ON), Flavia Pedroza (Planetário do Rio) e Tania Dominici (MAST)

24 de abril - Vida extraterrestre na ciência e na arte
Leandro Guedes (Planetário do Rio) e Ricardo Ogando (ON)

 

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