A superfície de Mercúrio



A superfície de Mercúrio lembra muito aquela que vemos na nossa Lua. Nela podemos observar fluxos de lava, depósitos de materiais provenientes de erupções vulcânicas, variações na composição geológica ao longo da sua superfície e da sua crosta, além de mostrar uma composição química diferente daquela apresentada pelos outros planetas interiores. Usando resultados obtidos pela sonda espacial Mariner 10 os pesquisadores montaram uma imagem de Mercúrio onde características comuns detectadas em sua superfície são representadas por uma mesma cor. A partir da análise das diferentes cores (falsas) das rochas que estão localizadas nas várias crateras que pontilham a superfície de Mercúrio os pesquisadores concluiram que há variações na sua composição geológica.

Suas colinas são arredondadas e cobertas de poeira tendo sofrido erosão devido ao constante bombardeio de meteoritos.

Embora, em certos aspectos, a superfície de Mercúrio lembre bastante a da Lua, também existem significantes diferenças geológicas entre estes dois corpos celestes.

Assim como a Lua, a superfície de Mercúrio contém enormes bacias de multi-anéis e muitos fluxos de lava. Penhascos verticais muito íngremes com vários quilômetros de altura se extendem por centenas de quilômetros ao longo de sua superfície.
No entanto, ao contrário da Terra e de Vênus, muito poucas características vistas na superfície de Mercúrio são claramente devidas a modificações causadas pela ação de forças tectônicas.

O terreno com pequenas colinas que existe no lado oposto do planeta àquele onde está a maior de todas as crateras, Caloris Basin, pode ter se formado quando a forma do planeta concentrou a energia sísmica (vibracional) proveniente deste imenso impacto nas regiões situadas do outro lado do planeta.

Mais notáveis em Mercúrio são as enormes escarpas (penhascos), em forma de lobo (projeção arredondada), com aproximadamente um quilômetro de altura e centena de quilômetros de comprimento. Elas são comuns em Mercúrio mas raras em Marte, por exemplo. Acredita-se que estas características devem ter se formado por compressão da camada mais externa e quebradiça de Mercúrio.

A imagem abaixo mostra Mercúrio a uma distância de 5 380 000 quilômetros. Ela foi obtida pela sonda espacial norte-americana Mariner 10 quando estava a seis horas de sua maior aproximação de Mercúrio, que ocorreu no dia 29 de março de 1974.





Quando a sonda espacial se afastou de Mercúrio ela obteve uma seqüências de fotografias que, montadas, resultam na imagem abaixo. Foram usadas 140 imagens da Mariner 10 para termos esta visão de Mercúrio.




Crateras

As imagens obtidas da superfície de Mercúrio pela sonda espacial Mariner 10 mostraram que este planeta lembra muito a nossa Lua. Ela está pontilhada por inúmeras crateras que se espalham por toda a sua superfície.

As crateras detectadas em Mercúrio variam bastante em tamanho, podendo ter de 100 metros até 1300 quilômetros. No entanto, devemos lembrar que 100 metros era o limite de resolução dos equipamentos a bordo da Mariner 10, ou seja, crateras menores não poderiam ser observadas pelo seu equipamento.

As crateras de Mercúrio se apresentam em vários estágios de preservação. Algumas são jovens, com bordas bem definidas e mostram raios brilhantes se extendendo a partir delas. Outras estão grandemente degradadas, com bordas que foram suavizadas a partir do bombardeamento de meteoritos.

A imagem abaixo mostra, na parte superior direita, duas grandes crateras com halos brilhantes na superfície de Mercúrio cada uma delas com diâmetro de cerca de 40 quilômetros. Suas características levam os cientistas a concluir que elas são algumas das crateras mais recentes de Mercúrio.




Caloris Basin

A maior cratera existente na superfície de Mercúrio é a Caloris Basin.



O termo "basin", que podemos traduzir como "bacia", foi definido por Hartmann e Kuiper em 1962 como "uma grande depressão circular com anéis distintos concêntricos e traços radiais". Entretanto, outros cientistas definem qualquer cratera maior do que 200 quilômetros como sendo uma "bacia".

A Caloris Basin tem 1300 quilômetros de diâmetro e foi provavelmente formada pela colisão de um projétil que tinha mais de 100 quilômetros de tamanho e colidiu com a velocidade de 512000 quilômetros por hora. O impacto produziu anéis montanhosos concêntricos com três quilômetros de altura e projetou material a grandes distâncias, entre 600 a 800 quilômetros sobre a superfície de Mercúrio.



As ondas sísmicas produzidas pelo impacto que gerou a Caloris Basin se focalizaram no outro lado do planeta e produziram uma região de terreno caótico, mostrada abaixo. Cada lado desta imagem mostra cerca de 100 quilômetros de terreno. Depois do impacto a cratera formada pela colisão foi parcialmente preenchida com fluxos de lava.



Mostramos abaixos uma visão mais panorâmica da região Caloris Basin.




Penhascos e colinas

A superfície de Mercúrio é marcado pela presença de grandes penhascos verticais, muito íngremes e arredondados.
Além disso, a superfície de Mercúrio apresenta escarpas que têm a forma de um lobo e que foram aparentemente formadas quando Mercúrio esfriou, encolhendo alguns quilômetros em diâmetro. Este encolhimento produziu uma crosta enrugada com escarpas que têm quilômetros de altura e centenas de quilômetros de comprimento.

A imagem abaixo mostra a região conhecida como Antoniadi. Ela é uma extensa cadeia de montanhas com mais de 450 quilômetros de extensão. A cadeia de montanhas está localizada no lado direito da imagem.




Planícies

A maior parte da superfície de Mercúrio é coberta por planícies.

A maior parte destas planícies é velha e fortemente craterizada.

No entanto, algumas planícies apresentam um número bem menor de crateras. Os cientistas classificaram estas planícies como planícies intercrateras e planícies suaves.

As planícies intercrateras são menos saturadas com crateras e estas têm, em geral, menos de 15 quilômetros de diâmetro. Embora ligeiramente mais jovens, mas ainda muito velhas, estas planícies estão situadas entre as maiores crateras velhas. Estas planícies foram provavelmente formadas à medida que fluxos de lava soterraram o terreno mais velho a sua volta.

As planícies suaves são ainda mais jovens com poucas crateras. As planícies suaves podem ser encontradas, por exemplo, em torno da Caloris Basin. Em algumas áreas pedaços de lava suave podem ser vistos preenchendo as crateras.

Esta imagem mostra uma região da superfície de Mercúrio com cerca de 200 quilômetros de diâmetro. O solo é formado por material encontrado em planícies suaves.



Muitos cientistas acham que estas planícies são vulcânicas. Esta interpretação é reforçada por uma cor ligeiramente diferente das planícies em relação às crateras antigas, o que pode indicar uma composição de rocha diferente. Mas tendo em vista que nas imagens obtidas pela Mariner 10 os detalhes do terreno são muito pequenos, fica difícil chegar a conclusões sobre a origem destas planícies.


Falhas

A sonda espacial Mariner 10 localizou enormes falhas na superfície de Mercúrio. Estas falhas foram formadas quando parte da crosta de Mercúrio foi empurrada sobre uma parte adjacente por forças de compressão geradas dentro do planeta.

A abundância e o comprimento destas falhas levaram os cientistas a concluir que o planeta Mercúrio teve o seu raio diminuido de 2 a 4 quilômetros depois de passar pela solidificação e pelo processo de craterização da sua superfície.

A imagem abaixo mostra a região Santa Maria Rupes, o risco escuro sinuoso que cruza o centro desta região. A imagem mostra cerca de 200 quilômetros da superfície de Mercúrio, em cada lado.




Existe água em Mercúrio?

A primeira vista esta pergunta parece não ter sentido. Como poderia um planeta situado tão próximo ao Sol e cuja temperatura na superfície é em média 179o Celsius ter água na sua superfície? No entanto, por mais estranho que possa parecer, alguns cientistas acreditam que pode haver água em Mercúrio.

O eixo de rotação de Mercúrio está orientado quase que perpendicularmente ao plano da órbita deste planeta. Por esta razão o Sol nunca fica bastante alto no céu sobre os pólos de Mercúrio. Nas regiões polares do planeta a luz proveniente do Sol atinge a superfície em um ângulo de tangência constante.

Além disso, a atmosfera de Mercúrio é tão rarefeita que o calor proveniente das regiões super-aquecidas pelo Sol não conseguem se espalhar para as regiões mais frias.

Conseqüentemente, os interiores de grandes crateras situadas nos pólos de Mercúrio estão permanentemente na sombra e permanecem sempre muito frias, com temperaturas abaixo de -212o Celsius.

Em 1991 os cientistas conseguiram obter as primeiras imagens de radar das regiões polares de Mercúrio. Elas mostraram que os interiores das "grandes crateras" são altamente refletores aos comprimentos de onda de radar. O material mais comum que poderia explicar este comportamento é o gelo, isto no planeta mais próximo do Sol!

Esta é a imagem de radar obtida pelos pesquisadores J. Harmon, P. Perrilat, M. Slade do Arecibo Observatory. Ela nos mostra a região polar norte de Mercúrio. A resolução é de 1,5 quilômetros e a imagem apresenta cerca de 450 quilômetros da região polar em cada lado. Os cientistas acreditam que as regiões brilhantes vistas nesta imagem são depósitos de gelo localizados no chão de crateras que estão permanentemente na sombra, sem receberem qualquer radiação solar.

Acredita-se que o pequeno fluxo de gelo proveniente de cometas e meteoritos que cairam em Mercúrio poderia ser conservado pelo frio existente nestes depósitos polares do planeta por bilhões de anos. Também é possível que vapor de água pudesse remover gases a partir do interior do planeta que seriam em seguida congelados nas regiões polares.

Alternativamente, foi sugerido que os depósitos polares consistem de um material diferente, talvez enxôfre sublimado durante eons (uma unidade de tempo geológico igual a um bilhão de anos) a partir de minerais existentes nas rochas da superfície.







--- VOLTAR ---