Um pouco da história de Mercúrio



Mercúrio, assim como os outros quatro planetas visíveis a olho nú, já era conhecido pelos astrônomos da antiguidade.
  • os sumérios

    A região onde presentemente encontramos o Iraque, entre os rios Tigris e Eufrates, era conhecida como Mesopotâmea, nome de origem grega que quer dizer, "entre rios". Acredita-se que nesta região floresceram as primeiras cidades por volta do ano 6000 antes de Cristo. No período de aproximadamente 3500 antes de Cristo a cerca de 2000 antes de Cristo os habitantes desta região eram conhecidos como sumérios. Eles deram nomes ao Sol, à Lua e aos planetas visíveis, incluindo Mercúrio. Todos eles receberam nomes dos seus sete grandes deuses.

    A tradução feita dos tabletes cuneiformes revelam que Mercúrio era conhecido por vários nomes tais como Ubu-idim-gud-ud, Gud-ud, Gu-ad, Gu-Utu e Nebo. Mercúrio frequentemente era associado com Nabu ou Ninurta, o deus da água e da escrita. Mais tarde os acadianos passaram a chamar Mercúrio de Shikhtu, que significa "nervoso".

  • os babilônios

    A civilização suméria foi sucedida pelos babilônios, que viveram no perído de 2000 a 1000 antes de Cristo. Os babilônios chamavam Mercúrio de Nebo ou Nabu, seu deus que era o mantenedor dos registros, deus da escrita e mensageiro dos deuses. Na astronomia babilônia Mercúrio estava associado a ambos os sexos por causa do seu aparecimento tanto como uma estrela vespertina como matutina. Bem mais tarde, no período de 600 antes de Cristo a 200 depois de Cristo, os babilônios fizeram detalhadas observações dos movimentos dos cinco planetas inclusive Mercúrio.

    A imagem ao lado mostra uma tábua que registra a localização e o instante do aparecimento de diferentes estrelas e planetas. Ela foi produzida no ano 164 da nossa era e estabelece que Mercúrio apareceu no oeste na constelação Touro. Além disso, a tábua faz previsões de quando e onde o planeta Mercúrio estará no céu em relação às constelações fixas.

  • os chineses

    Os chineses já haviam registraram a presença de Mercúrio quase 2000 anos antes do nascimento de Cristo.

  • os maias

    Os Maias, a civilização que viveu na região da América Central onde hoje estão a Guatemala, Belize, El Salvador e partes do México, Honduras e Nicarágua, desenvolveram sua astronomia no período que vai de 1500 antes de Cristo a 800 antes de Cristo. Eles mapearam o movimento de Mercúrio e registros de suas detalhadas observações foram encontrados no chamado "Dresden Codex" (imagem abaixo), uma tira de papel com 3,5 metros de comprimento arranjada em 39 folhas que nos conta muito sobre a civilização maia. Parte do Dresden Codex é mostrada na imagem abaixo.



No Dresden Codex está registrado o aparecimento de Mercúrio como uma estrela matutina em 733 antes de Cristo e como uma estrela vespertina em 727 antes de Cristo. Os maias também calcularam que Mercúrio se levantaria e se poria no mesmo lugar do céu a cada 2200 dias.

  • os egípcios

    Os egípcios chamavam Mercúrio de "Thoth", "o grande calculador". Thoth era o deus egípcio associado com o conhecimento. Segundo os egípcios ele tinha inventado a fala, a escrita e a aritmética. O deus Thoth se caracterizava por ter a cabeça com a forma do pássaro ibis. Thoth era o escriba dos deuses e era ele quem registrava quais os mortos que iriam para o paraíso e quais seriam devorados pelos cães do julgamento.

  • os gregos

    A mais antiga civilização grega floresceu no período de 1400 a 200 antes de Cristo. Por volta de 450 antes de Cristo, os gregos começaram a estudar o movimento dos planetas e usaram a geometria para medir o tamanho da Terra, do Sol e da Lua. Eles também estudaram Mercúrio, que era reconhecido com dois nomes diferentes, associados com o seus aparecimento no entardecer e no amanhecer. Mercúrio era chamado de Apolo, deus da verdade, das artes, da arqueria, pestes e profecias, quando aparecia no céu do entardecer. Ele era chamado de Hermes, o deus da escrita e mensageiro dos deuses, quando aparecia no céu do amanhecer.

    Platão e Eudoxus determinaram que os períodos sinódico e sideral de Mercúrio eram respectivamente 110 dias e 1 ano.

    Somente por volta do ano 350 antes de Cristo é que foi reconhecido que estas duas "estrelas" eram um único objeto.

  • os indianos

    Os indianos também estudaram os planetas, que eram chamados coletivamente de "navagrahs". Mercúrio tinha o nome de "Budha".
  • os povos nórdicos

    No norte da Europa, os vikings e outros povos nórdicos chamavam Mercúrio de "Odin", o deus supremo. Odin era o deus da sabedoria, mágica e guerra, além de inventor das "runas". O nome Odin significava "o inspirado". A imagem ao lado mostra parte de um entalhe encontrado na ilha Gotland, na Suécia, onde Odin cavalga o seu cavalo de oito pernas chamado Sleipnir.


    Nas épocas mais modernas, após a invenção do telescopio, Mercúrio foi estudado mas não com o mesmo afinco com que o foram outros planetas. Vejamos um pouco da cronologia do seu estudo:

    cerca de 200 antes de CristoTimocharisfilósofo grego que preparou o primeiro catálogo de estrelas no terceiro século antes de Cristo. Ele foi o mais antigo observador de Mercúrio que conhecemos pelo nome. É possivel, entretanto, que ele tenha confundido os aparecimentos de Mercúrio pela manhã e a tarde como sendo dois planetas diferentes.
    1610
    Galileo Galilei
    (1564-1542)
    este astrônomo italiano fez a primeira observação de Mercúrio usando um telescópio. Devido à qualidade do instrumento usado Galileu não consegui ter uma visão clara do planeta Mercúrio
    1631
    Pierre Gassendi
    (1592-1655)
    o astrônomo francês fez a primeira observação com um telescópio do trânsito de Mercúrio através do disco solar
    1639Giovanni Zupus
    (1590-1650)
    este astrônomo italiano estudou a órbita de Mercúrio com o auxílio de um telescópio mais potente e descobriu que, do mesmo modo que a Lua e o planeta Vênus, Mercúrio tinha fases. Isto serviu como evidência de que Mercúrio rodava em torno do Sol
    início do século XVIII
    Johann Hieronymus Schroeter
    (1745-1816)
    este astrônomo alemão observou e realizou vários esboços da superfície de Mercúrio
    1841
    Johann Franz Encke
    (1791-1865)
    este astrônomo alemão fez a primeira suposição sobre a massa de Mercúrio usando o efeito gravitacional que este planeta exerceu sobre o cometa Encke
    1889
    Giovanni Virginio Schiaparelli
    (1835-1910)
    este astrônomo italiano fez o primeiro mapa da superfície de Mercúrio e de suas características específicas. Ele observou Mercúrio durante sete anos e, baseado nas posições diárias de características de sua superfície, concluiu que o período rotacional de Mercúrio é igual ao período de sua órbita em torno do Sol. Schiaparelli declarou que tanto o período rotacional como o período orbital duravam 88 dias terrestres de modo que o mesmo lado de Mercúrio estava sempre voltado para o Sol, do mesmo modo como o mesmo lado da Lua sempre está voltado para a Terra. Este "fato" permaneceu acreditado por quase 75 anos.
    junho de 1901
    T. J. J. See
    este astrônomo norte-americano foi o primeiro a notar a existência de crateras ao longo do terminador e sobre o disco de Mercúrio.
    -
    Percival Lowell
    1855-1916)
    astrônomo norte-americano que desenhou a superfície de Mercúrio
    1933
    Eugenios Antoniadi
    (1870-1944)
    astrônomo francês que ficou mais conhecido pelas suas observações dos planetas Mercúrio e Marte. Em 1933 ele se tornou o primeiro astrônomo a produzir um mapa detalhado da superfície de Mercúrio, dando nomes a algumas de suas características superficiais conhecidas hoje. Em sua homenagem, foi dado o nome de cordilheira Antoniadi a uma cadeia de montanhas em Mercúrio com 450 quilômetros de comprimento.
    1965Gordon H. Pettengill e Rolf B. Dyceestes astrônomos norte-americanos usando um radiotelescópio para fazer observações de radar da taxa de rotação de Mercúrio encontraram que o período de rotação deste planeta era de apenas 58,6 dias terestres e não os 88 dias aceitos por quase um século. Estava derrubada a teoria de que Mercúrio estava em rotação síncrona com o seu movimento orbital
    1991----usando observações feitas por radar cientistas descobriram que Mercúrio pode ter água permanentemente congelada nos seus polos norte e sul. Esta água permanece nestes locais por que, como o eixo de rotação de Mercúrio é quase perpendicular à sua órbita em torno do Sol, as regiões polares praticamente não recebem luz solar

    As sondas espaciais que visitaram Mercúrio

    A sonda espacial Surveyor 7

    Em 1968 a sonda espacial norte-americana Surveyor 7 registrou a primeira imagem de Mercúrio obtida no espaço.
    No entanto, é preciso notar que a missão principal da sonda Surveyor 7 não era o estudo de Mercúrio. Ela foi lançada no dia 7 de janeiro de 1968 e tinha como principal missão estudar a superfície da Lua com o objetivo de colher dados para os futuros vôos tripulados norte-americanos ao nosso satélite natural. A sonda espacial Surveyor 7 pousou suavemente no nosso satélite no dia 10 de janeiro de 1968.


    A sonda espacial Mariner 10

    Até hoje apenas uma missão espacial foi enviada ao planeta Mercúrio. No dia 3 de novembro de 1973 os Estados Unidos lançaram a sonda espacial Mariner 10 com o objetivo de sobrevoar e realizar medições científicas deste planeta.

    Com as pequenas dimensões de 45,5 centímetros de altura e 1,2 metros de largura, e pesando 526 quilogramas, a sonda espacial Mariner 10 tinha a dupla missão de sobrevoar os planetas Vênus e Mercúrio. Ela foi a primeira missão dual planetária a ser realizada com sucesso.

    Na verdade, inicialmente a sonda espacial Mariner 10 deveria apenas explorar Vênus. Foi o astrônomo italiano Giuseppe Colombo (1920-1984) que sugeriu à NASA que a sonda poderia utilizar o campo gravitacional de Vênus para dirigir-se a Mercúrio.

    A sonda espacial Mariner 10 sobrevoou Vênus no dia 5 de fevereiro de 1974, a uma distância mínima de 4200 quilômetros, quando realizou uma assistência gravitacional que a permitiu alcançar o planeta Mercúrio. Esta excursão a Mercúrio levaria mais 176 dias. Esta foi a primeira vez que uma assistência gravitacional foi realizada e no caso da Mariner ela serviu para diminuir a velocidade da sonda espacial que mergulhava rapidamente na direção do Sol, atraída pelo seu campo gravitacional.



  • A sonda espacial Mariner 10 sobrevoou Mercúrio três vezes. Ela passou próximo ao planeta Mercúrio no dia 29 de março de 1974 a uma distância de 756 quilômetros da sua superfície. No dia 21 de setembro de 1974 sobrevoou pela segunda vez o planeta, passando a 48069 quilômetros, e no dia 16 de março de 1975 o sobrevoou pela terceira vez, sua maior aproximação, passando a apenas 327 quilômetros da superfície de Mercúrio.

    Como resultado destes sobrevoos a sonda Mariner 10 obteve mais de 10000 imagens cobrindo 45% da superfície de Mercúrio. Estas imagens possuiam uma resolução de aproximadamente um quilômetro.

    Ela conseguiu registrar temperaturas superficiais do planeta que variavam entre 187o Celsius no lado diurno e -183o Celsius no lado noturno. A sonda Mariner 10 descobriu que o planeta Mercúrio tem um campo magnético mas não conseguiu detectar a presença de atmosfera.

    Atualmente a sonda espacial Mariner 10 está em órbita em torno do Sol.


    O futuro: a sonda espacial MESSENGER

    A sonda espacial MESSENGER, é uma abreviação de MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging. A sonda MESSENGER foi lançada ao espaço em 3 de Agosto de 2004, a bordo de um foguete Boeing Delta II, do Cabo Canaveral, na Flórida, Estados Unidos.

    A sonda espacial MESSENGER é um projeto conjunto das instituições norte-americanas Carnegie Institution of Washington, The Johns Hopkins University/Applied Physics Laboratory (JHU/APL) e a National Aeronautics and Space Administration (NASA).


    A MESSENGER viajará mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita em torno de Mercúrio o que deverá ocorrer em março de 2011. Ao longo desta jornada a MESSENGER realizou uma passagem pela Terra em julho de 2005, duas passagens por Vênus em outubro de 2006 e junho de 2007 e três passagens por Mercúrio, em janeiro e outubro de 2008, e setembro de 2009.



    A MESSENGER será colocada em uma órbita altamente elíptica em torno de Mercúrio. Isto fará com que ela se aproxime bastante do planeta, chegando a apenas 200 quilômetros da sua superfície, e em seguida se afaste até 15193 quilômetros.

    A sonda espacial MESSENGER realizará duas voltas em torno de Mercúrio a cada 24 horas terrestres. Durante oito horas da segunda órbita de 12 horas a sonda espacial será orientada de modo a transmitir dados para a Terra.


    Um futuro mais longinqüo: BepiColombo

    Depois da MESSENGER, a próxima missão espacial, não tripulada, enviada para Mercúrio será a sonda espacial BepiColombo. Este é um projeto conjunto da European Space Agency (ESA) e do Institute of Space and Astronautical Science (JAXA) do Japão.



    A missão BepiColombo deverá lançar, em setembro de 2012, duas sondas espaciais utilizando o veículo lançador russo Soyuz-Fregat. Após quatro anos e dois meses de viagem, as duas sondas deverão entrar em órbita em torno de Mercúrio, enfrentando temperaturas tão altas quanto 250o Celsius.

    Uma das sondas deverá mapear o planeta enquanto que a outra examinará sua magnetosfera fazendo um pouso no planeta. A missão total deverá durar um ano em órbita em torno de Mercúrio.

    No dia 7 de novembro de 2003 a European Space Agency anunciou que, por motivos orçamentários, a missão BepiColombo havia sido reduzida com o cancelamento da segunda sonda que deverá pousar no planeta. A missão BepiColombo passa a ter agora apenas uma espaçonave a ser colocada em órbita em torno do planeta Mercúrio.





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