Os "leviatãs" de William Parsons


Um fato importante descoberto por Herschel era que algumas destas "estrelas nebulosas", vistas através dos telescópios que ele mesmo contruia, nada mais eram do que aglomerados de estrelas. Este fato o levou, em 1785, a conjecturar que todas as nebulosidades vistas no céu se revelariam como sistemas estelares distantes se olhadas através de poderosos telescópios.

Com o advento de telescópios de maior porte muitos astrônomos passaram a se preocupar com as pequenas nuvens difusas que eram observadas no céu e que, até aquele momento, não haviam sido resolvidas em estrelas. Mesmo os melhores telescópios da época só conseguiam observar estes objetos como nuvens difusas, não discernindo se elas tinham ou não conteúdo estelar.

Em 1845, o astrônomo irlandês William Parsons, terceiro conde de Rosse, construiu um telescópio de 72 polegadas no seu castelo em Parsonstown (mais tarde conhecida como Birr), na Irlanda. Esta construção, monstruosa para a época, foi logo apelidada de "Leviathan of Parsonstown". As imagens abaixo mostram o "Leviathan" de Parsons.











Parsons conseguiu com a ajuda deste equipamento determinar que algumas destas "nebulosas" possuiam uma estrutura em forma de espiral. Em abril de 1845 Parsons desenhou a "nebulosa" M51 (hoje conhecida como galáxia Rodamoinho) mostrando sua forma espiral. Esta foi a primeira vez em que a forma espiral foi identificada em uma "nebulosas". O desenho de Parsons teve grande impacto no encontro da British Association for the Advancement of Science realizado em junho deste mesmo ano.



A imagem abaixo mostra a galáxia espiral M51 ou NGC 5194 ou galáxia Rodamoinho (Whirlpool Galaxy) fotografado pelo astrônomo Todd Boroson do National Optical Astronomy Observatory (NOAO). Ela está localizada a apenas 23 milhões de anos-luz de nós e possui 65000 anos-luz de diâmetro. Esta galáxia é uma das mais brilhantes no céu, podendo ser vista com um simples binóculo na constelação Canes Venaciti. Compare esta imagem com o desenho feito por William Parsons!



Parsons também conseguiu discernir estrelas individuais em várias "nebulosas" onde nem mesmo o poderoso telescópio de Herschel tinha obtido sucesso.

Tendo em vista sua forma peculiar, estes objetos nebulosos passaram a ser chamados de "nebulosas espirais". A natureza destas "nebulosas espirais" foi assunto de intenso debate durante as várias décadas que se seguiram. Afinal, estes objetos pertenciam ou não à nossa Galáxia? Note que, nesta época, muitos cientistas acreditavam que a nossa Galáxia era todo o Universo: as estrelas que viamos eram únicas e mais além destas estrelas existia apenas a escuridão de um espaço sem fim.