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O Grande Debate |
Por volta de 1920 os astrônomos discordavam em vários assuntos que diziam respeito à forma e tamanho da nossa Galáxia. A razão disso era o fato de que eles ainda não dispunham de conhecimento para resolver um dos problemas fundamentais da astronomia: a determinação precisa das distâncias a corpos celestes.
Esse desconhecimento levou a intensas discussões e desacordos sobre dois pontos extremamente importantes para o conhecimento do Universo:
- Qual era a estrutura da nossa Galáxia? Quais eram seus limites?
- Qual era a verdadeira natureza das chamadas "nebulosas espirais"?
Dois eminentes astrônomos norte-americanos, Harlow Shapley, trabalhando então no Mount Wilson Observatory, e H. D. Curtis, do Lick Observatory, tornaram-se os mais ardentes defensores de idéias bastante antagônicas quanto às questões acima.
Shapley acreditava que as "nebulosas espirais" eram partes distantes da nossa Galáxia enquanto que Curtis dizia que elas eram galáxias inteiramente independentes da nossa.
Tal fato culminou com um debate entre eles, no dia 26 de abril de 1920, patrocinado pela National Academy of Sciences dos Estados Unidos e que entraria para a história da astronomia como o "Debate Shapley-Curtis" ou "O Grande Debate". Eles iniciaram uma intensa discussão sobre este assunto: as "nebulosas espirais" pertenciam ou não à nossa Galáxia?
| O Grande Debate: a escala do Universo |
| Shapley | Curtis |
| O diâmetro de nossa Galáxia é de cerca de 100 kpc. | O diâmetro de nossa Galáxia é de cerca de 10 kpc. |
| As "nebulosas espirais" não são comparáveis em tamanho à nossa Galáxia. | As "nebulosas espirais" são galáxias semelhantes à nossa. |
| As "nebulosas espirais estão localizadas relativamente próximas à nossa Galáxia. | As "nebulosas espirais" estão localizadas a distâncias que variam de 150 kpc para a "nebulosa" Andrômeda até mais de 3000 kpc para aquelas mais distantes. |
Curiosamente, o debate não fez terminar a controvérsia. Tanto Shapley como Curtis mantiveram-se fiéis às suas idéias originais e a comunidade científica permaneceu dividida. Na verdade, os resultados posteriores mostraram que cada um dos debatedores tinha razão em alguns pontos e não em outros.
Faltava algo muito especial para que os astrônomos pudessem conhecer as dimensões corretas da nossa Galáxia. Havia mais do que estrelas e "nebulosas espirais" no céu que nos envolve. Existia também gás e poeira espalhados entre as estrelas e esse material era capaz de diminuir bastante, em algumas situações, o brilho de objetos situados atrás dele. Deste modo, qualquer cálculo de distância envolvendo o conhecimento de magnitudes tinha que levar em conta o obscurecimento provocado pela poeira e gás interestelares. E isso, até agora, não tinha praticamente sido considerado. Somente em 1930 é que, com os trabalhos do astrônomo suiço Robert Julius Trumpler, os pesquisadores ficaram convencidos de que existia um meio interestelar capaz de absorver a radiação emitida pelas estrelas.
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