A cosmologia no Egito


As dinastias que floresceram no Egito antigo foram, aproximadamente, contemporâneas dos povos que habitaram a Mesopotâmia.

Os historiadores tendem a exagerar as habilidades dos antigos egípcios quando, na verdade, eles eram uma cultura prática.

Os egípcios desenvolveram a arte, literatura, arquitetura e até mesmo algumas ciências, tal como a medicina e a matemática. Uma das principais fontes de informação sobre a matemática desenvolvida no antigo Egito é o "Papiro matemático Rhind" (imagem a esquerda). Ele foi feito por volta do ano 1650 a.C., mas o responsável pela sua escrita, o escriba Ahmes, diz que o copiou de um documento mais antigo ainda, que data da 12a dinastia egípcia (por volta de 1800 a.C.). O Papiro Rhind consiste de uma famosa tabela de números 2/n, onde n= 3, 5, 7, ..., 101, todos eles expressos como uma soma de frações com o numerador 1. Além disso ele inclui cerca de 85 exercícios matemáticos acompanhados de suas soluções.

No entanto, os egípcios não demostraram muito interesse pela astronomia. Ao contrário dos Babilônios, eles não deixaram grandes registros de posições planetárias, eclipses ou outros fenômenos astronômicos. Uma prova desta falta de interesse é o fato de que um "catálogo do universo" compilado por Amenhope por volta de 1100 a.C. lista apenas cinco constelações, das quais duas podem ser identificadas como Orion e Ursa Major, e nem mesmo menciona Sírius ou qualquer planeta.

A astronomia só aparece melhor registrada em um documento datado de 300 a.C. Isto é muito tarde na história do Egito uma vez que a primeira dinastia começou, aproximadamente, em 3100 a.C. e a história do Egito antigo só terminou no ano de 332 a.C. quando Alexandre, o Grande conquistou toda a região. Este documento astronômico está gravado na base de uma estátua de um homem chamado Harkhebi e o descreve como tendo observado "tudo observável no céu e na Terra".

O desenvolvimento da cosmologia no antigo Egito seguiu linhas práticas. Os egípcios tinham pouca idéia da extensão e da estrutura do universo. A cosmologia deles, do mesmo modo que a dos Babilônios, refletia as suas crenças religiosas.

As idéias que os antigos egípcios tinham sobre o céu noturno foram formuladas em vários mitos que então, mais tarde, se tornaram a parte central da sua religião. Uma vez que suas principais divindades eram corpos celestes, um grande esforço foi feito pelos seus religiosos para calcular e prever o instante e o local do aparecimento de seus deuses. Foram essas habilidades que levaram à divisão do dia e da noite em 12 seções cada um, o desenvolvimento de um calendário lunar e o desenvolvimento de um calendário solar de 12 meses, cada um com 30 dias, e com uma unidade especial de 5 dias para fazer com que o total fosse de 365 dias.

Uma vez que o deus Sol, Ra, era o mais importante dos deuses, o movimento solar anual ao longo do horizonte era uma observação astronômica chave da cosmologia egípcia. A determinação do instante e do posicionamento dos pontos de retorno mais ao norte e mais ao sul, os solstícios, no fim das contas fixaram a mitologia da cosmologia egípcia. A lenda egípcia declara que a deusa do céu Nut dá a luz Ra uma vez por ano, catalisando tanto o desenvolvimento do calendário como o conceito de realeza divina e a herança matrilinear do trono.

Nut frequentemente é representada como uma fêmea nua que se estica através do céu. O Sol, o deus Ra, é mostrado entrando em sua boca, passando através de seu corpo salpicado de estrelas e emergindo de seu "canal de nascimento" nove meses mais tarde (do equinócio da primavera ao solstício de inverno no hemisfério norte). Assim Ra se torna um deus que cria a si mesmo isto é, o universo é auto-criante e eterno.

A imagem abaixo, extraida do Livro dos Mortos, Deir el-Bahri, do século 10 a.C., mostra a deusa egípcia do céu Nut, com o seu corpo suspenso pelo deus do ar Shu. O deus da terra Geb reclina-se a seus pés.




A cosmologia dos egípcios
Nun
    oceano primordial que representa um universo de caos
  • este oceano infinito continha os constituintes básicos de tudo que existiria eternamente
  • para os egípcios a água era o elemento básico da vida
  • Rao deus Sol
    • existia dentro de Nun e permaneceu em repouso até o momento em que desejou viver
    • a partir dele veio o ar que sustenta o céu e o orvalho e a chuva que umedece a Terra
    • de suas lágrimas foram criados os homens e as mulheres
    Shuo deus do ar
    • nascido de Ra
    • sustenta o céu
    Tefnutdeusa do orvalho e da chuva
    • filha de Ra
    • deu à luz Geb (Terra) e Nut (Céu)
    • entretanto, Geb e Nut casaram sem a aprovação de Ra de modo que ele ordenou que Shu separasse a Terra e o Céu para sempre
    Osirisdeus da natureza e da vegetação
    • primeiro filho de Geb e Nut
    • a ele a Terra deve a sua fertilidade


    Por volta do chamado Velho Reinado, o entusiasmo astronômico-religioso dos faraós é refletido na construção das enormes pirâmides em Giza. Elas eram caminhos de pedra para os deuses e foram orientados para alcançar os deuses imortais isto é, as estrelas circumpolares do norte.