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Pierre-Simon Laplace |
O Sistema Solar contém muitos corpos e o cálculo da órbita de qualquer planeta ou satélite não é simplesmente uma questão de calcular sua atração gravitacional ao corpo em torno do qual ele descreve sua órbita. Isso seria o que chamamos de "problemas de dois corpos" na mecânica clássica e é facilmente resolvido. No entanto, outros corpos também produzem efeitos menores, mas não desprezíveis, sobre o corpo estudado. A esses efeitos damos o nome de "perturbações". Por exemplo, o Sol altera (perturba) o movimento da Lua em torno da Terra, assim como Júpiter e Saturno modificam (perturbam) os movimentos um do outro em torno do Sol. Como você vê, o que era um simples "problema de dois corpos" passa agora a ser, no mínimo, um "problema de três corpos". Se você quiser generalizar, pense que os corpos celestes sofrem influência de todos os outros corpos celestes existentes na sua vizinhança. O que temos agora que resolver é um "problema de n corpos", onde n é o número de corpos que perturba o objeto estudado. O problema de n corpos é extremamente difícil.
O desenvolvimento da matemática e sua aplicação ao movimento dos corpos celestes teve uma grande importancia durante o século XVIII. Com o seu desenvolvimento e a solução de diversos problemas da chamada "mecânica celeste" tornou-se cada vez mais dispensável a suposta necessidade de intervenção divina para manter os corpos celestes em suas órbitas
Um matemático suiço, Leonhard Euler, ajudou a desenvolver as técnicas matemáticas necessárias para calcular os efeitos de perturbação. Primeiro ele aplicou essa técnicas à Lua e então, em 1748, aplicou-as a Júpiter e Saturno com sucesso parcial.
Ao longo do século XIX surgiram várias ciências e graças a seus resultados, que davam origem a novas invenções e melhoravam a vida das pessoas, havia um clima de grande confiança em relação à ciência. Em particular a física apresentava resultados importantes que nos ajudavam a compreender o mundo como nunca antes havia sido possível. A religião e a filosofia cada vez mais perdiam terreno para a ciência.
Nesse contexto surgiu uma nova filosofia apresentada no livro "Curso de Filosofia Positiva" escrito pelo francês August Comte (1798-1857). Essa filosofia ficou sendo conhecida como "positivismo". Ela considerava a ciência o estado do desenvolvimento do conhecimento humano que superou tanto as primitivas crenças mítico-religiosas que pediam a intervenção de seres sobrenaturais como também a substituição desses seres por forças abstratas. O pressuposto fundamental é que há uma regularidae no funcionamento da natureza cabendo ao cientista descobrir com exatidão as "leis naturais invariáveis" a que todos os fenômenos da natureza estão submetidos.
Segundo os positivistas qualquer fato observado é um resultado necessário de causas bem precisas que merecem investigação. Isso se justifica porque as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos, não havenmdo na natureza lugar para improviso. O conceito de que "as mesmas causas geram sempre os mesmos efeitos" passou a ser chamada de "determinismo".
O determinismo teve inúmeros defensores, entre os quais se destaca o filosofo, matemático e astrônomo francês Pierre-Simon Laplace (1749-1827).
Sobre o universo Laplace escreveu:
"Devemos considerar o estado presente do universo como um efeito do seu estado anterior e como causa daquele que se há de seguir. Uma inteligência que pudesse compreender todas as forças que animam a natureza e a situação respectiva dos seres que a compõem - uma inteligência suficientemente vasta para submeter todos esses dados a uma análise - englobaria na mesma fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do mais pequeno átomo; para ela, nada seria incerto e o futuro, tal como o passado, seriam presente aos seus olhos." Laplace em "Ensaio Filosófico sobre as Probabilidades" |
Apesar do sucesso parcial do matemático Leonhard Euler, ainda permaneciam inexplicadas as grandes anomalias que eram observadas nos movimentos de Júpiter e Saturno assim como uma aceleração sofrida pela Lua ewm seu movimento orbital em torno da Terra. Laplace resolveu estes problemas em 1785 e 1787 demonstrando que as interações gravitacionais existentes entre Júpiter e Saturno eram auto-corrigidas.
Em seu livro, Mécanique Céleste, publicado em cinco volumes entre 1799 e 1805, Laplace resumiu seus estudosw de mecânica celeste. Ele propôs que todos os fenômenos físicos no universo poderiam ser reduzidos a um sistema de partículas que exercem forças de atração e de repulsão entre todas elas.
Laplace não escreveu apenas para cientistas. Em 1796 ele apresentou seu livro Exposition du Systèma du Monde no qual resumia para o público leigo o estado geral do conhecimento sobre astronomia e cosmologia no final do século XVIII. Neste livro Laplace antecipou uma idéia que se tornou conhecida como a "hipótese nebular". Ele sugeriu que o nosso Sistema Solar, assim como todas as estrelas, foram criadas a partir do esfriamento e condensação de uma enorme "nebulosa" quente em rotação ou seja, uma nuvem gasosa de partículas.
A "hipótese nebular" influenciou fortemente os cientistas no século XIX, fazendo-os procurarem a confirmação ou a recusa dela.
Elementos da idéia da "hipótese nebular" de Laplace permanecem centrais à nossa compreensão atual de como o Sistema Solar foi formado.
Os trabalhos de Laplace eram uma tentativa de substituir a hipótese do poder de Deus por uma teoria puramente física que explicasse a ordem observada no universo. Isso refletia a abordagem atéia à natureza, característica do período chamado Iluminismo francês. Conta-se que quando o imperador napoleão perguntou a Laplace se ele havia deixado algum lugar para o Criador em sua teoria, Laplace teria respondido que ele não teve "necessidade de tal hipótese".
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