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Estudo revela ocorrência de afluxos de gás para as galáxias jovens

Publicado: Quarta, 01 de Abril de 2020, 19h52 | Última atualização em Quarta, 01 de Abril de 2020, 19h52

Os pesquisadores do ON Maryory Loaiza Agudelo e Roderik Overzier, juntamente com o pesquisador Tim Heckman, da Universidade Johns Hopkins, publicaram um novo artigo no Astrophysical Journal. Ao medir a quantidade de elementos pesados como oxigênio, nitrogênio e enxofre em relação ao hidrogênio presente no gás encontrado nas galáxias jovens, o novo estudo mostra que alguns tipos de galáxias com altas taxas de formação de estrelas experimentam um grande afluxo de gás do meio intergalático (o espaço relativamente vazio entre as galáxias).

Esse afluxo de gás, que é relativamente rico em hidrogênio porque ainda não foi processado em elementos mais pesados pelas estrelas, altera os padrões de abundância química das galáxias quando se mistura com o gás já presente. As medições desses elementos químicos podem, portanto, ser usadas como um indicador da ocorrência de tais afluxos de gás.

Isso é importante, especialmente para galáxias na fase inicial do universo, na qual esses afluxos de gás são responsáveis pela formação das primeiras gerações de estrelas em novas galáxias.

“Estas galáxias têm alta taxa de geração de estrelas, e estão em uma fase inicial da formação delas. Esta formação é causada por uma grande quantidade de gás de hidrogênio, que foi entregue a essas galáxias por meio de interações (entre galáxias jovens). A entrega de gás de hidrogênio pobre em metais, como oxigênio, nitrogênio, enxofre, é refletida pelas abundâncias químicas (quantidades de oxigênio, nitrogênio, enxofre comparado com hidrogênio) que medimos com o espectrógrafo XShooter do VLT”, explica o pesquisador Roderik Overzier.

As galáxias observadas são relativamente próximas, mas este estudo demonstra que os mesmos resultados poderão ser encontrados em galáxias muito mais distantes que serão alvo do sucessor do Telescópio Espacial Hubble, o Telescópio Espacial James Webb, que trará espectrógrafos de alta qualidade ao espaço.

Imagens das galáxias estudadas, obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble
Crédito: R. Overzier et al. / The Astrophysical Journal 

O estudo foi baseado em observações obtidas com o Very Large Telescope no Chile e formou o trabalho da tese de doutorado de Maryory Loaiza Agudelo, que obteve seu doutorado pelo ON em junho de 2019, sob orientação de Roderik. “Este trabalho foi possível graças ao acesso que o Brasil tinha ao ESO, que foi suspenso em 2018, infelizmente”, lamenta o pesquisador. “Esperamos que essa situação seja revertida, de modo a permitir que mais alunos do ON, assim como Maryory, possam realizar observações em um dos observatórios mais avançados do mundo”, completa Roderik.

O artigo está publicado no site do ApJ: https://iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-4357/ab6f6b/pdf 
ou no arXiv: https://arxiv.org/abs/1912.03239

 

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