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Prêmio Nobel de Física 2017 consagra um novo caminho para a observação do universo

Publicado: Quarta, 04 de Outubro de 2017, 16h57 | Última atualização em Quarta, 04 de Outubro de 2017, 18h40

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Albert Einstein estava mais uma vez correto. Aproximadamente cem anos após a previsão teórica feita a partir da sua Teoria da Relatividade Geral (TRG), as ondas gravitacionais foram finalmente detectadas em 14 de setembro de 2015 pela colaboração internacional LIGO – Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory. Tal observação rendeu aos professores Rainer Weiss (Massachusetts Institute of Technology), Barry C. Barish (California Institute of Technology) e Kip S. Thorne (California Institute of Technology) o Prêmio Nobel de Física de 2017.

Ondas gravitacionais são ondulações no espaço-tempo produzidas nos eventos mais energéticos do universo como, por exemplo, o colapso de núcleos estelares ou colisões de buracos negros. De acordo com a TRG, tais ondas (que viajam com a velocidade da luz) são criadas quando objetos muito maciços são acelerados e se propagam a partir da fonte semelhantemente à propagação de ondas geradas quando uma pedra é jogada num lago (uma discussão acessível pode ser encontrada em K.S. Thorne, Black Holes and Time Warps: Einstein's Outrageous Legacy - W.W. Norton & Company, New York, 1994).

Além da descoberta das ondas gravitacionais, as detecções do LIGO evidenciaram a existência e fusão de buracos negros (outra solução da TRG) com massa entre 30-60 massas solares (~1030 Kg). Essas detecções lançam, portanto, uma possibilidade única de investigação da natureza desses objetos misteriosos, assim como da própria natureza da interação gravitacional. Talvez ainda mais importante, elas abrem, para toda uma geração de pesquisadores, uma nova janela de observação do universo, até aqui explorada a partir da radiação eletromagnética.

Einstein sempre teve dúvida se as ondas gravitacionais poderiam ser detectadas. Aí elas estão! O passo seguinte é explorar suas propriedades físicas e decifrar as informações que elas carregam sobre o nosso universo.

 

 Jailson Alcaniz é pesquisador titular do Observatório Nacional, com atuação na área de Cosmologia

 

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