Buracos Negros
A idéia de que pudessem existir objetos com um campo gravitacional tão forte que a luz não conseguisse escapar de sua superfície é bastante antiga. O conceito de "buracos negros", sem que fosse usado este nome, foi proposto pelo reverendo John Mitchell em 1786. Laplace também fez o mesmo tipo de considerações em 1795. Obviamente, ambas as propostas estavam baseadas em raciocínios que envolviam apenas a física Newtoniana. Com o surgimento da Teoria da Relatividade Geral, de Einstein, o conceito de "buracos negros" ressurge quando Karl Schwarzschild obtém uma solução das equações de campo de Einstein para uma distribuição esfericamente simétrica de matéria. A chamada "solução exterior de Schwarzschild" levou os físicos teóricos a observarem, de novo, a posssível existência de uma região no espaço-tempo onde os fótons ficariam aprisionados. Este trabalho ficou restrito ao campo teórico e não foi dada muita atenção a esta questão. No entanto, em 1939, Oppenheimer e Snyder publicaram um artigo onde estudavam o colapso de um objeto esfericamente simétrico, uma "estrela", e a consequente formação de um buraco negro. Este nome, buraco negro, foi dado a estas regiões do espaço-tempo pelo físico John Archibald Wheeler em 1969.
O crescimento de um conceito
Hoje os astrofísicos teóricos já não falam genericamente sobre buracos negros mas sim especificamente sobre vários possíveis tipos de buracos negros. Eles poderiam ter sido formados no início do Universo, seriam os buracos negros primordiais. Poderiam ser objetos monstruosos que ocupam a região central de galáxias, os buracos negros supermassivos. Poderiam ter sido gerados como resultado de processos normais de evolução estelar e, neste caso, vamos chamá-los de buracos negros astrofísicos.
Ciência, delírio ou panacéia científica?
A história da ciência nos mostra que, muitas vezes, os cientistas se comportam como náufragos: agarram-se a qualquer idéia e fazem dela uma tábua de salvação. Será este o caso com os buracos negros? Não, com certeza não. Durante muito tempo a idéia foi vista com maus olhos por muitos físicos. Entender um conceito que exige propriedades particulares para uma região do espaço-tempo, onde as informações desaparecem, que possue uma singularidade onde as leis da física não são válidas, onde a densidade é infinita, não é algo que se aceite facilmente. No entanto, os estudos teóricos têm revelado, cada vez mais, que o conceito de buraco negro é sólido, fundamental e dificilmente poderia ser descartado da física teórica. Suas propriedades têm sido determinadas, seu conceito ampliado e, mais importante, a idéia tem colaborado de modo excepcional no entendimento de diversos fenômenos que ocorrem no Universo.
Como em toda história que tem valor existe um suspense em tudo isto. Embora os buracos negros sejam hoje uma idéia teórica bem aceita, até agora os astrônomos falharam em identificar, com certeza, um único buraco negro em todo o Universo, seja ele um buraco negro astrofísico ou um buraco negro supermassivo. Isto seria catastrófico, ou pelo menos perigoso, para a idéia científica se os buracos negros não fossem realmente especiais. A menos que uma "Star Trek" encontre com um buraco negro em alguma região do espaço, todas as provas possíveis que poderemos obter sobre a existência de buracos negros serão indiretas. Eles são elusivos, não se mostram com facilidade. Podem ser acusados de destruidores mas não de exibicionistas. E é exatamente a sua capacidade de "destruição" que os trai e revela a sua presença, sempre de modo indireto. Veremos sempre as consequências deles existirem. Isto os astrônomos já observaram. Vários fenômenos cósmicos seriam inexplicáveis se não existisse o conceito de buraco negro. Podem ser estranhos mas são insubstituíveis na astrofísica moderna. Os dados observacionais atestam que o conceito de buraco negro, considerado um delírio teórico por alguns durante muito tempo, não se transformou em uma panacéia para resolver os problemas da astrofísica. Buracos negros, hoje, são ciência da melhor qualidade. Um desafio para aqueles que gostam de astrofísica teórica.