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A revista Science publica nesta sexta, 10 de outubro, o artigo “Uma pista local para a reionização do universo” (“A local clue to the reionization of the universe”). Ele trata da observação do vazamento de fótons ultravioleta de alta energia de uma galáxia próxima à Via Láctea. Isso é um fenômeno previsto, até então, apenas em modelos teóricos, que teria acontecido na “Época da Reionização”, quando as primeiras galáxias foram formadas, entre 400 milhões e 950 milhões de anos após o Big Bang.
“Nossas observações com o Telescópio Espacial Hubble mostram que, nessa galáxia, novas estrelas estão sendo formadas em tal intensa taxa que o material que normalmente bloqueia os fótons de alta energia é removido por ventos e explosões fortes. Assim, a radiação ultravioleta escapa da galáxia. Isso nunca foi observado antes”, conta Roderik Overzier, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, um dos quatro autores do artigo. Os outros três autores são do Center for Astrophysical Sciences, da Universidade Johns Hopkins, e do Space Telescope Science Institute, ambos em Baltimore, EUA.
A “Época da Reionização” começou após o que se conhece por “Era das Trevas”, que durou de 380 mil anos até 400 milhões de anos após Big Bang. Depois da luz inicial, uma névoa de gás hidrogênio neutro preencheu o universo. Produzidos por estrelas jovens e massivas, os fótons ultravioleta de alta energia foram responsáveis por ionizar todo o gás hidrogênio que ocupa o espaço entre as galáxias. Mas até agora não se compreendia como isso pode ter acontecido, se em condições normais esses fótons não escapam das galáxias.
“A galáxia deste estudo é muito semelhante às galáxias da fase inicial do universo. Então, essa descoberta demonstra pela primeira vez como o processo de reionização do universo pode ter acontecido. Nossa teoria é que as primeiras gerações de galáxias no universo também produziram ventos fortes e explosões que levaram à fuga dos fótons necessários para a reionização. Isso, porém, ainda precisa ser comprovado, observando diretamente galáxias no início do universo. Vai ser muito difícil, mas nosso estudo tem dado pistas muito importantes sobre como fazê-lo. Por exemplo, se o Brasil se juntar ao ESO, a organização internacional responsável pela construção e operação dos melhores observatórios astronômicos do mundo, seremos capazes de fazer muitas outras descobertas nesse campo, nos próximos anos”, explica o pesquisador.
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